sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Que torneio tão CANsado! - Uma análise à Taça das Nações Africanas'2015

A Taça das Nações Africanas terminou, aguardando-se rapidamente pela próxima. E não, não é com a pressa de voltar a ver em acção estas selecções, é com a sensação de que esta prova seja apenas um percalço na magia do futebol africano.

Quem aprecia este peculiar contexto futebolístico ficou claramente desiludido com a falta de ousadia e ambição dos seus participantes. Houve mais vontade das equipas quererem mostrar competência a nível táctico-posicional do que em criar equipas capazes de construir oportunidades de golo.

Subscreve-se o que já se haveria escrito: “os treinadores tiveram um papel importante” na descaracterização da competição. Acredita-se que a sua orientação resultadista tenha aparecido como um elemento castrador de toda a cultura do jogador africano. O jogador africano é diferente do jogador europeu e sul-americano e deverá ser tratado segundo essa especificidade.  

Continuaram ausentes os “momentos “mágicos” a que o futebol (e o jogador) africano nos tem habituado: cortes de pontapé-de-bicicleta na grande área; fintas de videojogos; golos acrobáticos; festejos originais; rituais de bruxaria. Já nada parece ser como dantes…”.

É verdade que esses momentos nem sempre são sinónimo de qualidade, mas pelo menos era hábito a assistirmos a espectáculo quando víamos um jogo da CAN. Infelizmente, este ano, poucos foram os jogos que nos entusiasmaram. O lado estratégico das equipas foi sempre muito conservador, sólido e criativamente pobre. Mesmo nos momentos em que as equipas já não tinham nada a perder, verificou-se muita falta de ambição em alterar o rumo dos acontecimentos. Talvez por as equipas estarem de tal maneira formatadas que não conseguissem soltar-se dessas amarras estratégicas deixando soltar o lado irreverente, rebelde e criativo do jogador africano.

Também por isso, não foi fácil escolher o Melhor XI desta CAN’2015, e infelizmente pelas piores razões. O nível individual manifestado pelas estrelas africanas foi reduzido, abaixo das expectativas criadas, tanto com os jogadores mais consagrados como as novas estrelas emergentes.

Contudo, acredita-se que se estes jogadores jogassem juntos – egos à parte – eram fortes candidatos a conquista de qualquer título no mundo!

GR – Muteba Kidiaba (COD) – os guarda-redes africanos não são muito conhecidos pela sua competência. Antes pela sua excentricidade e exuberância de comportamentos, dentro e fora dos postes. De todos os guarda-redes do troneio, não houve nenhum que se mostrasse a um nível superior, pelo que a escolha recaiu antes como uma espécie de “prémio carreira” a este guarda-redes – e bailarino – congolês de 39 anos.   

DE – Faouzi Ghoulam (ALG) – o defesa-esquerdo argelino mostrou ser um jogador de grande qualidade. Ghoulam nem sempre foi compensado posicionalmente nas transições defensivas da sua equipa, mas as suas subidas no terreno causaram sempre desequilíbrios aos seus adversários.  

DC – Madjid Bougherra (ALG) – não começou o torneio como titular, mas o capitão argelino foi dos melhores defesas desta prova. Não é muito requintado em termos técnicos, e a sua agilidade e aceleração começam a ficar comprometidos com os seus 32 anos, mas a sua paixão pelo jogo e pelo seu país, fazem dele um central extremamente eficaz. A sua concentração, determinação e sentido posicional permitem-lhe resolver muitos problemas que lhe aparecem. E se aliarmos isso a uma capacidade de liderança fantástica – ele que capitaneou uma das equipas mais emocionalmente voláteis da prova – pode mesmo ser considerado o capitão desta pequena selecção.  

DC – Kolo Touré (CIV) – embora jogue numa equipa que muitas vezes se dispõe em campo com três defesas-centrais, não foi fácil ter o papel de liderar uma defesa a três na selecção Campeã Africana. Os seus companheiros são ainda muito jovens e inexperientes – Bailly, 20; e Kanon, 21 – o que lhe complicou mais a tarefa de organizar a sua linha defensiva. Nem sempre se mostrou assertivo, mas a verdade é que poucos foram os adversários que passaram por o mais velho dos Tourés!   

DD – Serge Aurier (CIV) – dos melhores jogadores desta competição. Não tem o espaço desejado no seu clube, mas aproveita os jogos pelos Elephants para mostrar toda a sua categoria. No plano individual é extremamente competente a defender onde se apresenta muito forte no desarme, sendo muito forte e ágil. No plano colectivo, revela algumas debilidades a fechar os espaços interiores, valendo-lhe a velocidade para recuperar posições perdidas.  

MDF – Serey Dié (CIV) – peça fundamental em qualquer equipa, também o foi no miolo da sua Costa do Marfim. Não tem o requinte técnico que se gostaria de ver, mas a sua entrega, disponibilidade e determinação fazem dele um jogador muito importante. Em especial a defender, foi um verdadeiro ladrão de bolas aos seus adversários, tanto nos duelos individuais como na intercepção de passes através de um exímio posicionamento. Para alcançar patamares ainda mais competitivos, faz-lhe falta, principalmente, melhorar a sua qualidade de passe.

MC – Yaya Touré (CIV) – mesmo sem a intensidade de jogo que nos habituou nas últimas épocas, Yaya Touré continua a ser um dos melhores médios do mundo. Extremamente completo, a defender e a atacar, o jogador enche o campo com a sua passada larga e a sua qualidade táctico-técnica.  Nem sempre teve o papel ofensivo que gostaria, e por aí poderia ter-se mostrado condicionado, mas foi muito influente no em toda a estratégia marfinense.

MO – André Ayew (GHA) – jogou na extrema-esquerda do ataque ganês, mas parece ser a médio ofensivo que melhor joga este belo jogador. Falhou no comportamento ofensivo sem bola, procurando-a pouco, não conseguindo explorar melhor os espaços para conseguir receber e jogar. Mas quando a bola lhe chegava, ela ficava contente de tão bem ser tratada nos seus pés. O jogador é ainda importante na moral da equipa, contagiando os seus colegas nos seus comportamentos de liderança.

EE – Javier Balboa (GNQ) – talvez seja injusto não aparecer aqui o nome de Emilio Nsue, um verdadeiro globetrotter dos papéis e tarefas da equipa guinéu-equatoriana. Mas foi Balboa que apareceu nos momentos mais importantes e os concretizou. A tendência caseira das arbitragens não é desculpa para os resultados positivos dos Nzalang, que tiveram em Balboa, um dos seus principais jogadores. O extremo não vacilou em momentos importantíssimos e contribuiu activamente para a sua equipa chegar às meias-finais da CAN’2015.  

ED – Christian Atsu (GHA) – ganhou o prémio de Melhor Jogador e de marcador do Melhor Golo da CAN’2015. Fez uma excelente competição, e curiosamente foi bem mais referência do que Ayew ou Asamoah, nos comportamentos ofensivos das Black Stars. Por vezes, luta “contra o mundo” em campo, resolvendo os problemas de uma forma muito individual, mas a sua velocidade e o seu drible desconcertante levam a que ele tente fazer isso. Para além disso, o jogador tem um remate fácil, “mais em jeito do que em força” contribuindo para a marcação de dois golos no torneio.

AV – Wilfried Bony (CIV) – recentemente contratado pelo Manchester City, Bony está-se a tornar um caso sério em África. À data será mesmo dos melhores avançados africanos, conseguindo aliar o lado táctico-físico ao lado táctico-técnico do jogo. A seu favor ainda, o jogador marca golos que se farta, tendo tudo para vir marcar uma era no futebol da Costa do Marfim e da África.

  
Para além destes nomes existem outros que ficaram na retina e que poderão alcançar um nível internacional já nas próximas épocas.

Eric Bailly (CIV) – ainda meio tenrinho, este defesa-central de 20 anos surpreendeu devido à sua qualidade com a bola. As suas progressões em campo com a bola controlada provocaram muitos desequilíbrios aos seus adversários. O facto de jogar numa linha defensiva a três permitiu-lhe realizar esse comportamento sem grande risco, causando inclusive um golo numa dessas subidas no terreno (1x0 frente à Argélia). A defender o jogador ainda revela algumas lacunas, abordando os lances de uma forma meia inocente e intranquila. Contudo, competindo na Liga Espanhola – agora no Villarreal, antes no Espanyol) poderá crescer bastante como jogador, esperando-se que consiga a alcançar o nível do seu companheiro Kolo Touré.

Acquah Afriyie (GHA) – inconstante na sua carreira, o médio-defensivo de 23 anos poderá estar a atravessar um momento importante na afirmação das suas competências como jogador. Passou muitas vezes despercebido do jogo, mas no bom sentido. Foi sempre muito sóbrio e eficaz no meio-campo ganês, conseguindo chamar a atenção dos prospectores da Sampdoria que o contrataram ao Parma. Tem o upgrade táctico-estratégico do Calcio, faltando-lhe alguma dinâmica e ousadia quando tem a bola na sua posse.  

Iban Salvador (GNQ) – é verdade que existem centenas de extremos agitadores no mundo do futebol. Mas nem todos parecem gostar tanto de futebol como este pequeno Salvador. Vindo da escola espanhola, o jogador é muito dotado tecnicamente, e muito intenso e dinâmico nas suas jogadas. É, no entanto, pertinente verificar que o jogador precisa de aprender a jogar em ritmos mais baixos do jogo, já que parece estar sempre pronto para jogar a mil à hora quando o jogo pede outro tipo de velocidades.


Para finalizar, é importante deixar uma nota importante à organização. Nota, obviamente,  negativa. Hotéis sem condições mínimas para as equipas se instalarem; arbitragens, em certos momentos, vergonhosamente caseiras; incidentes lamentáveis nas bancadas; fraquíssima qualidade de alguns relvados. Ou seja, acontecimentos que mancham e denigrem o futebol africano e a sua ambição em se superar e atingir categorias mais elevadas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Transferências de Inverno 2014/2015 - Bélgica e Holanda

Depois de se ter apresentado as transferências de jogadores africanos em Portugal e nos “Big 5”, segue-se agora a actualização das movimentações na Bélgica e na Holanda!



Jupiler Pro League 

Nome
Idade (anos)
Nacionalidade
Clube Origem
Destino
Brice Ntambwe
21
AGO
Mons
Lierse
Idrissa Sylla
24
GIN
Zulte Waregem
Anderlecht
Imoh Ezekiel
21
NGA
Al-Arabi SC
Standard Liège
Karim Rossi
20
MAR
Hull City
Zulte Waregem
Kevin Osei
23
GHA
Marseille
Waasland-Beveren
Knowledge Musona
24
ZWE
TSG 1899 Hoffenheim
Oostende
Mbaye Diagné
23
SEN
Juventus
Westerlo
Moses Simon
19
NGA
AS Trencin
Gent
Rachid Bourabia
29
MAR
Lierse
Waasland-Beveren
Rolando
29
CPV
FC Porto
Anderlecht
Wilfred Ndidi
18
NGA
NATH Boys
Genk




















Eredivisie 

Nome
Idade (anos)
Nacionalidade
Clube Origem
Destino
Andre Onana
18
CMR
Barcelona
Ajax
Brahim Darri
20
MAR
Vitesse
Heracles
Lerin Duarte
24
CPV
Ajax
Heerenveen (E)
Wilson Eduardo
24
AGO
Sporting CP
ADO Den Haag

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Transferências de Inverno 2014/2015 - Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália

Continuando a actualização de transferências de jogadores africanos na “janela” de Inverno, seguem-se agora as contratações relativas aos chamados “Big 5” – campeonato alemão, espanhol, francês, inglês e italiano!


Bundesliga

Nome
Idade (anos)
Nacionalidade
Clube Origem
Destino
Didier Ya Konan
30
CIV
Al Ittihad FC
Hannover 96
Sami Allagui
28
TUN
Hertha Berlin
Mainz 05
Serey Dié
30
CIV
FC Basel
VfB Stuttgart








La Liga


Nome
Idade (anos)
Nacionalidade
Clube Origem
Destino
Bebé
24
CPV
Benfica
Córdoba
Chidiebere Nwakali
18
NGA
Man. City
Málaga
Eric Bailly
20
CIV
Espanyol
Villarreal
Hélder Costa
21
AGO
Benfica B
Deportivo
Héldon
26
CPV
Sporting
Córdoba
Kalu Uche
32
NGA
Al-Rayyan
Levante
Lass Bangoura
22
GIN
Rayo Vallecano
Granada (E)
Theo Bongonda
19
COD
Zulte Waregem
Celta















Ligue 1

Nome
Idade (anos)
Nacionalidade
Clube Origem
Destino
Abdoulay Diaby
23
MLI
Royal Mouscron-Péruwelz
Lille (RE)
Alain Traoré
26
BFA
Lorient
Monaco (E)
Didier Ndong
20
GAB
CS Sfaxien
Lorient
Fakhreddine Ben Youssef
23
TUN
CS Sfaxien
Metz
Ferjani Sassi
22
TUN
CS Sfaxien
Metz
Gilles Sunu
23
TOG
Lorient
Évian TG
Giovanni Sio
25
CIV
FC Basel
Bastia
Isaac Thelin
22
COD
Malmo
Bordeaux
Kana-Biyik
25
CMR
Rennes
Toulouse
Landry N’Guémo
29
CMR
Sem clube
Saint-Étienne
Lossémy Karaboué
26
CIV
Nancy
Caen
Lyes Houri
19
MAR
Valenciennes
Bastia
Maxwel Cornet
18
CIV
Metz
Lyon
Sofiane Boufal
21
MAR
Angers
Lille
























Premier League

Nome
Idade (anos)
Nacionalidade
Clube Origem
Destino
Dame N’Doye
29
SEN
Lokomotiv Moskva
Hull City
Pape Souaré
24
SEN
Lille
Crystal Palace
Shola Ameobi
33
NGA
Gaziantep BB
Crystal Palace
Wilfried Bony
26
CIV
Swansea
Man. City
Yaya Sanogo
22
CIV
Arsenal
Crystal Palace (E)











Serie A


Nome
Idade (anos)
Nacionalidade
Clube Origem
Destino
Acquah Afriyie
23
GHA
Parma
Sampdoria
Alassane També
23
MLI
Kortrijk
Genoa
Francis Obeng
28
GHA
Santarcangelo
Napoli
Modibo Diakité
27
MLI
Deportivo
Sampdoria
Mohamed Salah
22
EGY
Chelsea
Fiorentina
Paul-Jose M’Poku
22
COD
Standard Liège
Cagliari (E)
Samuel Eto’o
33
CMR
Everton
Sampdoria
Seydou Doumbia
27
CIV
CSKA Moskva
Roma
Silvestre Varela
30
CPV
FC Porto
Parma (E)
Zakarya Bergdich
26
MAR
Valladolid
Genoa
Zouhair Feddal
26
MAR
Palermo
Parma (RE)