sábado, 24 de janeiro de 2015

CAN'2015 - Grupo C - África do Sul 1 vs 1 Senegal

África do Sul 1 vs. 1 Senegal
(MANYISA 47’; MBODJI 60’)

ÁFRICA DO SUL (1-4-4-1-1):
(GR) MABOKGWANE;
(DD) NGCONGCA, (DE) MATLABA, (DCE) HLATSHWAYO (GCABA, 30’) (DCD) MATHOHO;
(MCD) FURMAN, (MCE) JALI, (ME) MANYISA (LETSHOLONYANE, 73’), (MD) PHALA (PARKER, 67’);
(MO) VILAKAZI;
(AV) RANTIE

SENEGAL (1-4-3-3)
(GR) COUNDOUL;
(DD) GASSAMA, (DE) M’BENGUE, (DCE) MBODJI, (DCD) SANÉ;
(MCD) N’DIAYE (KOUYATÉ, 84’), (MDF) GUEYE, (MCE) DIOP (SAIVET, 90’);
(EE) MANÉ, (PL) DIOUF, (ED) SOW (N’DOYE, 80’).


Numa partida extremamente interessante, a África do Sul e o Senegal empataram a 1x1, no segundo jogo do dia relativo ao Grupo C.
A África do Sul apresentou-se fiel ao modelo de jogo apresentado na primeira partida. Jogo rápido de passes curtos e rasteiros, bastante colectivo, utilizando muitos jogadores no seu processo ofensivo, causou alguns estragos aos defesas adversários. Contudo, o que algumas equipas têm a mais em África, a África do Sul mostra a menos: objectividade na criação de lances de golo. A equipa sul-africana remata pouco à baliza, parecendo adornar, de forma colectiva, todos as suas situações de finalização que cria, perdendo tempo e espaço de remate.
O Senegal, por sua vez, também tentou sempre apresentar-se de uma forma ambiciosa, com uma ligação de sectores positiva, com destaque para o seu meio-campo que participação bastante na construção do jogo. No entanto, o seu tridente ofensivo mostrou-se desinspirado, e quase sempre que a bola chegava aos seus três jogadores de ataque, depressa a perdiam.
Infelizmente para o jogo, existiu um excesso de agressividade de parte a parte. As entradas duras começaram a intensificar-se e as paragens também, quebrando um ritmo de jogo que se mostrava interessante. Ao entrar nesses duelos a África do Sul saiu quase sempre a perder, devido à morfologia física e atlética dos jogadores senegaleses, das maiores bestas – no bom sentido da palavra – desta competição.
Um outro comportamento que contribuiu para uma maior espectacularidade deste jogo, foi o espaço que ambas as equipas deixavam nas suas linhas recuadas aquando dos seus ataques. Esse espaço era, felizmente para os espectadores, criado pela vontade das equipas facturarem e no facto de muitos jogadores participarem no ataque das equipas. Dessa forma, as equipas expunham-se a transições ofensivas que muitas vezes eram aproveitadas pelo adversário, criando uma boa dinâmica ao jogo.
De lamentar o “azar” que os sul-africanos estão a ter no seu eixo defensivo. Nos dois jogos realizados, os Bafana Bafana tiveram de substituir um dos defesas-centrais, por lesão. Desta vez foi Thulani Hlatshwayo que teve de sair depois de um choque de cabeça com o seu adversário, entrando para o seu lugar Ayanda Gcaba.
Na segunda-parte a África do Sul apareceu logo com um golo marcado pelo seu médio-esquerdo Oupa Manyisa, jogador de 26 anos do Orlando Pirates, após uma interessante jogada colectiva de envolvência por ambos os corredores.
Com o golo sofrido, o Senegal mostrou ainda mais dificuldades em criar perigo ao seu adversário. As individualidades senegalesas desapareceram. Mané, Sow e Diouf ofuscaram-se quando a equipa mais precisa deles. A equipa não soube reagir à adversidade e a África do Sul aproximava-se mais do 2x0 do que o Senegal do 1x0.
Contudo, e após dois ou três lances de perigo na marcação de bolas paradas, o Senegal, bastante superior no jogo aéreo, conseguiu empatar a partida, através de um golo do defesa-central Kara Mbodji, jogador do Genk de 25 anos de idade.
Contra a tendência do jogo, o golo sofrido abalou os sul-africanos, tal como tinha acontecido contra a Argélia. Os níveis de concentração baixaram assim como a qualidade decisional. A fadiga tomou conta dos jogadores sul-africanos, que parecem não ter o “andamento” dos seus adversários.

Assim com o cansaço do lado sul-africano e a falta de determinação e ambição do lado senegalês, o jogo decresceu na sua qualidade e arrastou-se até ao final sem mais grandes destaques.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CAN'2015 - Grupo C - Gana 1 vs. 0 Argélia

Gana 1 vs. 0 Argélia
(1-0, GYAN 90+2’)

GANA (1-4-2-3-1)
(GR) BRIMAH;
(DD) AFFUL, (DCD) AMARTEY, (DCE) MENSAH, (DE) BABA;
(MCD) AGYEMANG-BADU, (MCE) ACQUAH;
(EE) A. AYEW, (SA) J. AYEW, (ED) ATSU;
(AV) GYAN.

ARGÉLIA (1-4-4-1-1)
(GR) M'BOLHI;
(DD) MANDI, (DCD) BOUGHERRA, (DCE) MEDJANI, (DE) GHOULAM;
(MD) FEGHOULI, (MCD) TAÏDER, (MCE) LACEN, (ME) BENTALEB;
(MO) BRAHIMI;
(PL) BELFODIL.

Num jogo bastante equilibrado, o Gana bateu a Argélia por 1x0, já no “cair do pano”.
Logo no início do jogo, na disposição dos jogadores em campo, algumas surpresas surgiram nos XI’s. Na Argélia, a presença de Bentaleb na esquerda apanhou muita gente desprevenida, talvez com a preocupação do seu treinador em suster as subidas de Afful. Já o Gana voltou a utilizar uma linha defensiva a  4, tal como se adivinhava quando se soube quem iria jogar.
A primeira-parte mostrou um jogo muito lento e aborrecido de ambos os conjuntos, enfadonhamente equilibrado.
O Gana jogou muito para a sua referência, o avançado Asamoah Gyan. Pareceu que todos os jogadores ganeses quando tinham a bola eram obrigados a passa-la para o seu nº 3, esperando que Gyan ou os que o rodeavam numa segunda bola, fizessem algo de positivo no ataque ganês.
Já a Argélia, procurou fazer algo mais do que limitar-se a fazer passes diretos e longos para o seu avançado – embora, muitas vezes, também utilizasse Belfodil como referência. A passagem de Bentaleb para a esquerda e a inclusão de Taïder para o meio-campo provocaram na equipa uma maior dinâmica de posse no corredor central, já que Taïder mostrou-se mais forte do que Bentaleb nos espaços mais fechados.
A defender ambas as equipas adotaram praticamente o mesmo comportamento. Pouca pressão, linhas curtas e bloco baixo não davam hipótese à criação de oportunidades de golo, em especial quando ambas as equipas jogavam tão devagar. Essa estratégia era de tal maneira defensiva, que nem se viram quaisquer esboços de transições ofensivas por parte dos adversários, tal era a quantidade de jogadores que as equipas deixavam atrás da linha da bola quando atacavam.
As “individualidades” viram-se muito pouco, sobretudo as ganesas. Mas o que foi mais curioso de verificar foi que a Argélia atacou mais e melhor pelo corredor esquerdo do que pelo direito, quando no esquerdo tinha um médio-centro adaptado (Bentaleb) e no direito tinha um extremo de raiz (Feghouli).

Na segunda-parte, o jogo melhorou um pouco. Tornou-se mais dinâmico, mais rápido. As equipas retornaram ao jogo com um pouco mais de ambição e pelos menos já se viu a bola mais vezes perto das balizas.
Sobretudo a Argélia começou a dar mais espaço nos seus sectores defensivo e intermédio que foi bem explorado pelo Gana. A entrada do irreverente Wakaso mexeu um pouco com o meio-campo ganês dando-lhe uma fluidez diferente da que existia com Acquah.
A Argélia continuou a mostrar-se muito pouco ambiciosa parecendo confortável com o empate, aguardando que esse resultado se mantivesse até ao final da partida. As próprias substituições foram nesse sentido.
No entanto, aos 90+2’ quando já poucos acreditavam, e com mais um passe longo para a referência, o próprio acabou por marcar. Asamoah Gyan, avançado de 29 anos do Al Ain, com um belo remate cruzado, depois de ter fugido à lentidão de Medjani, sentenciou uma das partidas mais monótonas desta Taça das Nações Africanas.


O golo contribuiu para deixar a classificação do Grupo C mais interessante, contribuindo para ficar tudo em aberto para a derradeira jornada. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

CAN'2015 - Grupo D

Grupo D

Com Costa do Marfim e Camarões mas sem Drogba e Eto’o, o Grupo D poderá não ter a mística desejada, mas não será por aí que terá menos espectáculo. Os franco-malianos têm sempre algo a dizer neste grupo, e a Guiné-Conacri espera por uma (ou mais) escorregadela(s) dos seus adversários.


Costa do Marfim – Les Elephants

Com uma das belas gerações africanas a “dar as últimas”, a Costa do Marfim apresenta-se na CAN’2015 de cara bem lavada. Deixamos de ver os trintões Didier Drogba, Eboué, Romaric, Zokora, Guy Demel, Athur Boka, Sol Bamba, Arouna Koné e companhia, aparecendo novos valores de qualidade interessante mas comparativamente inferior às estrelas acima nomeadas. Mesmo sem alguns dos mais velhos desta geração, ainda fazem parte do grupo jogadores excepcionais e de qualidade mundial que podem oferecer a esta Costa do Marfim a qualidade necessária a chegarem longe na prova.

A “Geração de Ouro” ainda não foi renovada, mas a vontade dos jogadores que restam dela em conquistar finalmente algum troféu pode fazer com que a equipa se una de uma vez por todas – não é apanágio deste grupo ser muito unido – poderá contribuir como um forte elemento motivacional, já que alguns desses jogadores fazem na Guiné-Equatorial a sua última CAN.

Será esse o grande desafio do seleccionador francês Hervé Renard, o de conseguir lidar com um dos balneários mais complexos do futebol mundial, com egos muitas vezes incompatíveis mas que têm de pensar e sentir o futebol do país em uníssono. Com 46 anos e uma conquista da edição de 2012 da CAN, ao serviço da Zâmbia, o jovem treinador conta já com alguma experiência sobre o futebol africano, tendo passado pelo comando de Angola e do USM Alger, sendo mesmo considerado um dos melhores a actuar no continente.

O destaque individual nesta equipa não podia ser mais óbvio, vai para o Melhor Jogador Africano dos últimos anos, e um dos melhores jogadores do mundo da actualidade: Yaya Touré. Formado no ASEC Mimosas e com mais de 14 títulos, em especial nos dois últimos clubes da carreira, o Barcelona e o Manchester City, Yaya Touré é um dos médios-centro mais completos do futebol moderno, exímio em misturar qualidade defensiva com ofensiva. Infelizmente para ele, já ultrapassou a barreira dos 30 anos, existindo a opinião nalguns especialistas sobre o declínio das suas performances.

Com Yaya Touré na equipa, outras estrelas como Gervinho, Wilfried Bony e Serge Aurier, quase que se ofuscavam, não fossem elas, também, bem brilhantes.


1. Boubacar Barry (Lokeren) – GR
2. Ousmane Viera (Çaykur Rizespor) – Def
3. Roger Assalé (TP Mazembe) – Méd
4. Kolo Touré (Liverpool) – Def
5. Siaka Tiéné (Montpellier) – Def
6. Cheick Doukouré (Metz) – Méd
7. Seydou Doumbia (CSKA Moscow) – Ava
8. Salomon Kalou (Hertha Berlin) – Ava
9. Cheick Tioté (Newcastle United) – Méd
10. Gervinho (Roma) – Ava
11. Junior Tallo (SC Bastia) – Ava
12. Wilfried Bony (Manchester City) – Ava
13. Jean-Daniel Akpa-Akpro (Toulouse) – Def
14. Ismaël Diomandé (Saint-Étienne) – Méd
15. Max Gradel (Saint-Étienne) – Méd
16. Sylvain Gbohouo (Séwé Sport) – GR
17. Serge Aurier (Paris Saint-Germain) – Def
18. Lacina Traoré (Monaco) – Ava
19. Yaya Toure (Manchester City) – Méd
20. Serey Die (Basel) – Méd
21. Eric Bertrand Bailly (Espanyol) – Def
22. Wilfrie Kanon (ADO Den Haag) – Def
23. Sayouba Mandé (Stabæk) – GR



Mali – Les Aigles

À equipa nacional do Mali de futebol, quase que se podia chamar Selecção dos Amigos de Seydou Keita. Perdoem esta expressão, mas com o jogador a ir para a sua 7ª participação seguida em fases finais da CAN, o nome não podia ser mais adequado. Muitos nomes passaram nas convocatórias malianas para as CAN’s, desde 2002, mas apenas o nome de Seydou Keita se manteve regular, daí se poderá tirar uma noção do que ele é para a equipa, mas principalmente para o país.

O Mali é outro dos países com grande influência francesa na sua metodologia de trabalho, não sendo de admirar uma forte ligação à escola de futebol daquele país. O próprio seleccionador, Henryk Kasperczak iniciou a sua carreira de treinador na França. Além da ligação do seleccionador polaco de 68 anos, existe ainda a curiosidade de Fousseini Diawara, Ousmane Coulibaly, Molla Wagué, Tongo Doumbia, Yacouba Sylla, Bakary Sako, Sigamary Diarra, os irmãos Yatabaré e Abdoulaye Diaby terem nascido na França! Um número bastante elevado que por um lado poderá enfraquecer o lado motivacional de se querer dar tudo pela bandeira nacional, mas que por outro permite aos jogadores terem sido formados num dos mais contextos de ensino de futebol mais profícuos.

Com Seydou Keita ainda em tão bom nível, é difícil realçar outros jogadores. Mesmo com 35 anos, o médio-centro, continua com um nível de performances num campeonato de topo fantástico. A sua classe e capacidade táctico-estratégica, levam-no a um patamar que poucos conseguem com a sua idade. A experiência que o jogador foi adquirindo e absorvendo em diferentes equipas e campeonatos contribuíram para ele manifestar uma eficácia comportamental em campo, fora do normal. Alcançar quase 20 títulos colectivos na carreira, diz muito sobre a qualidade que o jogador (ainda) tem.

Contudo Seydou Keita não poderá lutar “sozinho contra o mundo”, pedindo o brilho em campo de outras estrelas como Bakary Sako e Modibo Maiga para Les Aigles chegarem longe na prova.

De notar por fim que da última vez que Kasperczak esteve ao leme da equipa, o Mali conquistou o terceiro lugar da CAN, aquando da sua organização, em 2002.

1. Germain Berthé (Onze Créateurs) – GR
2. Fousseni Diawara (Tours) – Def
3. Adama Tamboura (Randers) – Def
4. Salif Coulibaly (TP Mazembe) – Def
5. Idrissa Coulibaly (Hassania Agadir) – Def
6. Tongo Doumbia (Toulouse) – Méd
7. Mustapha Yatabaré (Trabzonspor) – Ava
8. Yacouba Sylla (Kayseri Erciyesspor) – Méd
9. Mohamed Traoré (Al-Merrikh) – Ava
10. Bakary Sako (Wolverhampton Wanderers) – Méd
11. Sigamary Diarra (Valenciennes) – Méd
12. Seydou Keita (Roma) – Méd
13. Ousmane Coulibaly (Platanias) – Def
14. Sambou Yatabaré (Guingamp) – Méd
15. Drissa Diakité (SC Bastia) – Def
16. Soumbeïla Diakité (Esteghlal Khuzestan) – GR
17. Mamoutou N’Diaye (Zulte Waregem) – Méd
18. Abdoulay Diaby (Mouscron-Péruwelz) – Ava
19. Mohamed Konate (Nahdat Berkane) – Def
20. Modibo Maïga (Metz) – Ava
21. Abdou Traoré (Girondins Bordeaux) – Méd
22. Abdoulaye Samaké (CO Bamako) – GR
23. Molla Wagué (Udinese) – Def


Camarões – Les Lions Indomptables

A passar por uma aguardada renovação, os Camarões apresentam-se mais como uma revolução. Não se podia começar por outro lado, já que sem Samuel Eto’o, o “marisco” é outro. E não será só Samuel Eto’o que não se verá vestido de verde e vermelho nesta edição da CAN’2015. Alex Song, Carlos Kameni, Joel Matip, André Bikey, Allen Nyom, Jean Makoun, Assou-Ekotto, Eric Matoukou foram outros nomes presentes em convocatórias dos últimos anos mas que poderão ter o futuro na selecção comprometido.

A opção é aceite pela comunidade local, já que os Camarões falharam as duas últimas edições da CAN, e mesmo a presença no Mundial’2014 não foi muito bem conseguida. É assim natural que os nomes mais mediáticos mas que vão perdendo espaço a nível qualitativo comecem a dar espaço a outros valores promissores, alguns deles vindos do futebol local.

Nesse seguimento, Volker Finke tem tido um trabalho muito admirado, em especial na identificação e remoção de “maçãs podres” do balneário. O técnico alemão de 66 anos terá ainda a responsabilidade de levar a equipa a patamares qualitativos atingidos por Roger Milla e companhia, nos anos 90’s. O espaço de manobra não será muito grande já que as performances do Mundial’2014 que o mesmo liderou não ajudam a que haja muita paciência caso as coisas corram mal.

Sem terem uma referência internacional, contam com alguns jogadores de topo como N’Koulou, Abubakar e Choupo-Moting. Contudo é Stephane Mbia o jogador que mais relevância lhe é atribuída. Os adeptos camaroneses esperam ainda mais deste jogador do que os adeptos do Sevilla esperam dele. Com 28 jogadores, o médio centro até conta com o seu irmão Franck Etoundi na convocatória o que poderá ajudar ainda mais a sentir-se confortável para as suas exibições. Mbia apareceu muito bem nos momentos decisivos da época passada no Sevilla, esperando-se que o mesmo volte a acontecer nesta CAN’2015.


1. Guy N’dy Assembé (Nancy) – GR
2. Léonard Kweuke (Çaykur Rizespor) – Ava
3. Nicolas N’Koulou (Olympique Marseille) – Def
4. Raoul Loé (Osasuna) – Méd
5. Jérôme Guihoata (Valenciennes) – Def
6. Ambroise Oyongo (New York Red Bulls) – Def
7. Clinton N’Jie (Olympique Lyonnais) – Ava
8. Benjamin Moukandjo (Stade de Reims) – Ava
9. Frank Bagnack (Barcelona B) – Def
10. Vincent Aboubakar (Porto) – Ava
11. Edgar Salli (Académica) – Méd
12. Henri Bedimo (Olympique Lyonnais) – Def
13. Eric Maxim Choupo-Moting (Schalke 04) – Ava
14. Georges Mandjeck (Kayseri Erciyesspor) – Méd
15. Franck Etoundi (FC Zürich) – Ava
16. Fabrice Ondoa (Barcelona B) – GR
17. Stéphane Mbia (Sevilla) – Méd
18. Eyong Enoh (Standard Liège) – Méd
19. Cédric Djeugoué (Coton Sport) – Def
20. Franck Kom (Étoile du Sahel) – Méd
21. Aurélien Chedjou (Galatasaray) – Def
22. Patrick Ekeng (Córdoba) – Méd
23. Pierre Sylvain Abogo (Tonnerre Yaoundé) – GR


Guiné-Conacri – Syli Nationale

A Guiné-Conacri apresenta-se como a equipa, teoricamente mais frágil deste Grupo D. Os seus jogadores não fazem parte das grandes equipas europeias, ou quando fazem, ainda não têm um papel importante nas mesmas.

A essa falta de competitividade ao mais alto nível, junta-se a menor experiência dos seus jogadores que se apresentam com uma média de idades de apenas 24,4 anos. Por outro lado, essa mesma juventude poderá funcionar como um elemento motivacional para esses jovens jogadores tentarem mostrar as suas qualidade a todos os seguidores da CAN’2015.

Para o comando da equipa, os guineenses contam com o francês Michel Dussuyer. Na sua terceira aparição como treinador dos Syli Nationale, Dussuyer de 55 anos, tentará voltar a levar a equipa aos quartos-de-final da prova, tal como aconteceu em 2004, na altura com Titi Camara, Fodé Mansaré, Souleymane Youla, Dianbobo Baldé e Pascal Feindouno.

Hoje em dia, os jogadores são outros. A qualidade é mais potencial do que actual. Naby Keita, Mohamed Yattara, Abdoulayé Cissé e François Kamano prometem muito, mas ainda não atingiram o valor que se lhes adivinha. Daí as esperanças estão sobretudo depositadas em Ibrahima Traoré. O jogador actua na competitiva Bundesliga, ao serviço do Borussia Mönchengladbach. Trata-se de um extremo esquerdo driblador muito rápido e imprevisível, de 26 anos, que joga já há várias épocas no principal escalão alemão, tendo passagens por Hertha Berlim, Augsburg e Stuttgart antes de se mudar para o seu presente clube.

1. Naby Yattara (Arles-Avignon) – GR
2. Mohamed Yattara (Olympique Lyonnais) – Ava
3. Issiaga Sylla (Toulouse) – Def
4. Florentin Pogba (Saint-Étienne) – Def
5. Fodé Camara (Horoya) – Def
6. Kamil Zayatte (Sheffield Wednesday) – Def
7. Abdoul Camara (Angers) – Ava
8. Ibrahima Traoré (Borussia Mönchengladbach) – Ava
9. Guy-Michel Landel (Orduspor) – Méd
10. Kévin Constant (Trabzonspor) – Méd
11. Idrissa Sylla (Zulte Waregem) – Ava
12. Ibrahima Conté (Anderlecht) – Méd
13. Abdoulaye Cissé (Angers) – Def
14. Lanfia Camara (KRC Mechelen) – Méd
15. Naby Keïta (Red Bull Salzburg) – Méd
16. Abdul Aziz Keita (Kaloum Star) – GR
17. Boubacar Fofana (Nacional) – Méd
18. Seydouba Soumah (Slovan Bratislava) – Ava
19. François Kamano (SC Bastia) – Ava
20. Baissama Sankoh (Guingamp) – Def
21. Mohammed Diarra (OB) – Def
22. Aboubacar Camara (UCAM Murcia) – GR
23. Djibril Tamsir Paye (Zulte Waregem) – Def



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

CAN'2015 - Grupo C - Argélia 3 vs. 1 África do Sul

ARGÉLIA 3 VS. 1 ÁFRICA DO SUL
(PHALA 51’; HLATSHWAYO (OG) 67’, GHOULAM 72’, SLIMANI 83’)

ARGÉLIA (1-4-2-3-1):
(GR) M'BOLI;
(DD) MANDI, (DCD) MEDJANI, (DCE) HALLICHE, (DE) GHOULAM;
(MCD) BENTALEB, (MCE) LACEN;
(ED) FEGHOULI, (TAIDER, 64’), (EE) MAHREZ (BELFODIL, 60’), (MO) BRAHIMI;
(PL) SLIMANI (SOUDANI, 90’)

ÁFRICA DO SUL (1-4-4-1-1):
(GR) KEET;
(DD) NGCONGCA, (DE) MATLABA, (DCD) HLATSHWAYO, (DCE) COETZEE (NHLAPO, 29’);
(MCD) FURMAN, (MCE) JALI, (ME) MANYISA, (MD) PHALA;
(MO) VILAKAZI;
(AV) RANTIE (NDULULA, 79’)

Com um resultado surpreendente, por incrível que pareça, a Argélia venceu a África do Sul por 3x1. Para quem viu o jogo compreende esta afirmação, caso contrário poderá considerar um resultado perfeitamente normal tendo em conta as duas equipas. Mas não foi…
Algeria 3-1 South Africa: Algeria bounce back to win their opening gameFoi uma bela partida de futebol, num jogo bastante positivo e dinâmico, de princípio ao fim.
Durante a primeira parte, a África do Sul foi superior. As suas estratégias defensiva e ofensiva conseguiram anular os pontos mais fortes argelinos e debilitar os mais fracos. Com as linhas muito juntas e recuadas, deixando praticamente sozinho Tokelo Rantie na zona de ataque, a África do Sul condicionou muito o ataque adversário, cedendo pouquíssimo espaço de intervenção aos atacantes argelinos. A atacar, a equipa procurou bastante o seu avançado que descaía bastante para os corredores. A África do Sul procurava primeiro avançar no terreno em posse para depois “esticar” no seu avançado e extremos, sendo muito agressivos à segunda bola. Esta mistura de estilos foi muito bem assimilada pelos jogadores que se mostraram bastante confortáveis em ambos os comportamentos.
A Argélia mostrou-se emocionalmente frágil, intranquila e muito nervosa. Talvez tivesse acusado a pressão de ser considerada uma das principais candidatas ao título para a conquista da CAN’2015. Também o corredor central argelino não funcionou muito bem durante a primeira parte. A atacar, a zona estava sobrepovoada e não houve a criação de opções de passe ou penetração; a defender os defesas-centrais mostraram-se lentos e pouco ágeis e os médios-centro não eram muito espontâneos a reagir à “segunda bola”.   
Os Fennecs, tiveram ainda dificuldades em adaptar a sua linha defensiva à profundidade em campo. A linha esteve sempre muito subida e nem sempre se mostrou eficaz à velocidade dos seus adversários.
Na segunda-parte, a África do Sul entrou muito forte mostrando toda a sua Africanidade com uma mistura de humildade com alegria e vontade de vencer. E o golo não tardou, depois de uma jogada fantástica entre os atacantes sul-africanos – que merece ser vista e revista por todos os adeptos do futebol, e que teve em Thuso Phala, extremo de 28 anos do SuperSport United, o autor do remate que culminou a excelente jogada com o primeiro golo da partida.
Momentos depois, a África do Sul tentou aumentar a vantagem através da concretização de um penálti – que nasceu após outra grande jogada do ataque sul-africano – mas tal não aconteceu. Rantie atirou à barra e o “falhanço” tornou-se um verdadeiro factor motivacional para os argelinos. Julga-se, por outro lado, que deveria ter sido um jogador sul-africano a actuar no campeonato local a tentar concretizar o penalti. Essa opção serviria como algo mais transversal e psicologicamente mais forte para a equipa.
A partir daí houve um “clique” nos argelinos que um pouco contra a corrente empataram o jogo através de um auto-golo de Thulani Hlatshwayo, defesa-central de 25 anos do Bidvest Wits.
Pouco depois e com um golo de raiva, Faouzi Ghoulam, deu a volta ao resultado, numa jogada individual.
Após a reviravolta, a África do Sul deveria ter alterado a sua estratégia defensiva. Continuou a privilegiar o recuo das linhas, sem realizar grande pressão aos portadores de bola. Este “baixar os braços” acabou por ser fatal. O cansaço físico e emocional apoderou-se dos Bafana Bafana e a sua capacidade decisional decresceu abruptamente.
A equipa deixou de conseguir criar lances de perigo e o terceiro golo dos argelinos acabou por surgir por intermédio de Islam Slimani, avançado de 26 anos do Sporting CP.
Num jogo excitante, onde M’Bolhi mostrou ser um guarda-redes de equipa grande, o que mais cativou foi a velocidade, a criatividade e imprevisibilidade dos sul-africanos, a merecer um olhar mais atento por parte dos scouts e analistas desportivos.


CAN'2015 - Grupo B - Tunísia 1 vs. 1 Cabo-Verde

Tunísia 1 vs. 1 Cabo-Verde
(1-0, ALI MONCER 70'. 1-1, HÉLDON 77'.)

TUNISIA: (1-4-4-2)
(GR) AYMEN MATHLOUTHI;
(DD) MAMZA MATHLOUTHI, (DCD) ABDENNOUR, (DCE) BEN YOUSSEF, (DE) MAALOUL;
(MCD) NATER, (MCE) SAIHI (RAGUED 87'), (ME) KHARZI (MSAKNI 82'), (MD) ALI MONCER;
(SA) CHIKHAOUI, (PL) AKAICHI (RJAIBI 83').

CAPE VERDE: (4-3-3)
(GR) VOZINHA;
(DE) STOPIRA, (DD) CARLITOS (MENDES 75'), (DCD) GEGE, (DCE) VARELA;
(MDF) CALU, (MCD) NUNO ROCHA, (MCE) BABANCO;
(ED) HÉLDON, (EE) KUCA (FORTES 84'), (PL) DJANINY (TAVARES 68').

Numa partida extremamente equilibrada, Tunísia e Cabo-Verde empataram a 1x1, tal como as outras equipas do seu grupo tinham feito (RD Congo e Zâmbia), no primeiro jogo do Grupo B desta CAN’2015.
Com excepção do primeiro lance de perigo logo aos 2’, num cabeceamento de Fernando Varela após livre lateral, o jogo começou sem grande intensidade, muitas vezes interrompido por pequenas faltas ou lançamentos laterais, favorecendo muito o modelo de jogo tunisino.
Esse modelo de jogo baseou-se numa forte e compacta organização defensiva, não muito pressionante para não ceder demasiado espaço entre linhas e com pouca dinâmica e propensão ofensiva por parte dos seus jogadores. Assim, e com excepção do seu corredor esquerdo onde Maâloul combinou muito bem com Khazri – o jogador mais interessante das Aigles de Carthage – a atacar, a equipa mostrou-se lenta, pouco determinada ambiciosa em fazer o golo.
Durante a primeira meia-hora, Cabo-Verde só esporadicamente conseguiu chegar com perigo à zona ofensiva de Cabo-Verde. No processo defensivo, a equipa mostrou-se sempre muito equilibrada, e sobretudo eficaz. Contudo, como a Tunísia não se expôs para as transições rápidas cabo-verdianas, faltou durante muito tempo a ligação entre sectores por parte dos cabo-verdianos. Ou seja, em posse, o meio-campo de cabo-verde foi durante os primeiros 30min, pouco operante na estratégia ofensiva.
Pedia-se à equipa cabo-verdiana que conseguisse explorar melhor o corredor central do meio-campo, numa superioridade de 3x2, onde Nater e Saihi se limitavam a fechar linhas de passe, dada a falta de dinâmica destes jogadores.
A partir de aproximadamente meia-hora de jogo, a estratégia ofensiva dos Tubarões Azuis alterou-se, havendo muita mais posse de bola por parte dos seus médios – começaram-se a ligar mais os sectores – e deixámos de assistir a tantas bolas longas por parte dos defesas-centrais cabo-verdianos à procura dos seus avançados. Com mais posse do meio-campo, as bolas começaram a chegar mais jogáveis aos seus atacantes e em consequência os lances de perigo também rondaram mais a baliza de A. Mathlouthi.
A segunda-parte começou, novamente, com bastante equilíbrio, mas de uma forma muito “pachorrenta”. Para muito contribuiu a falte de pressão e de criatividade das duas equipas. A Tunísia adaptou-se às melhorias ofensivas de Cabo-Verde, anulando as suas construções, e com falta de ideias alternativas por parte dos cabo-verdianos, as equipas limitavam-se a anular de parte-a-parte.
Até que ao 70’ surgiu o golo do crack do CS Sfaxien (clube vencedor da Liga dos Campeões), o médio ofensivo Dali Moncer, de 23 anos. O golo foi consequência de uma bela jogada de ataque, onde apareceu a qualidade de passe dos jogadores tunisinos e a falta de concentração e posicionamento de alguns defesas cabo-verdianos (primeiro Carlitos e depois Stopira estavam muito “abertos” na relação defesas-lateral/defesa-central).
Após o golo sofrido, como é óbvio, Cabo-Verde tentou responder à adversidade. Contudo, essa resposta não foi muito consequente, e poucas ocasiões conseguiram criar para empatar.
Numa dessas poucas vezes que os cabo-verdianos conseguiram aproximar-se da baliza adversária, e num lance muito polémico, Héldon cai na área e é assinalada grande-penalidade. O próprio, extremo de 26 anos do Sporting CP, encarregou-se de marcar e concretizar o penálti.
Entretanto o jogo continuou num ímpeto muito equilibrado e terminou com o justo empate, ficando algumas questões pendentes que mereciam uma resposta por parte de Rui Águas e Leeskens: Porque não a entrada em campo mais cedo de Ryan Mendes, ou a entrada de Platini e Garry Rodrigues, jogadores velozes e criativos para o ataque cabo-verdiano? Porque não utilizar Kuca (o melhor jogador cabo-verdiano em campo) em espaços mais interiores? Porque não George Leeskens ter mexido mais cedo, nomeadamente na saída de Akaichi, que não fez um jogo muito efectivo?

Veremos como estas equipas se desempenharão contra as menos favoritas Zâmbia e RD Congo na próxima jornada.